Parece que foi ontem que eu pedi demissão. Parece que foi ontem que eu comprei as passagens. Parece que foi ontem que eu viajei dois dias pra chegar aqui. O tempo passa rápido demais e eu já estou começando a achar que cinco meses não são suficientes para todos os lugares que quero conhecer.
Todos dizem que os planos nunca saem exatamente como foram feitos e isso se aplica perfeitamente a mim. O Vietnã, de destino certo virou carta fora do baralho. Pensava em ficar no máximo 15 dias no Laos; estou há uma semana em apenas uma cidade. Achava que dez dias seriam mais do que suficientes para o Camboja; hoje eu acho que precisarei de pelo menos 20 dias. [retirado do Dia 30]
No final das contas, fiquei 18 dias no Laos, um pouco a mais que a previsão e fiquei os dez dias inicialmente previstos no Camboja e não 20 como eu pensava há um mês atrás. O Vietnã virou, de fato, carta fora do baralho e eu incluí Myanmar no roteiro, apesar de não constar nos primeiros planos. Quase fui pra Malásia, achava que iria posteriormente, mas agora tudo indica que eu não irei mais para lá.
Abandonei alguns hábitos como o de comer uma refeição tradicional no lugar do bom e velho pão com manteiga no café da manhã e acho que de lá pra cá não incorporei algo importante a ser mencionado. Aprendi bastante coisa em lao e quase nada em khmer e acho que o mesmo acontecerá em Myanmar. Aliás, a minha estadia lá tem prazo de validade (03/12) e o restante da viagem já está agendado. Quer dizer, as passagens aéreas foram compradas, mas as datas ainda podem ser mudadas!
Wednesday, December 17, 2008
Dia 59 - São Paulo
Nesses quase dois meses de viagem eu tenho procurado de todas as maneiras me manter informado com o que acontece no mundo e no Brasil, seja pela internet, jornais (na maioria eu só interpreto fotos já que não entendo a língua) e televisão. Apesar disso, receio perder aquele que pode ser o maior acontecimento do ano e que ocorreu nos últimos dois anos: o título brasileiro do São Paulo. Primeiro porque se ele for decidido antes da última eu estarei em Myanmar e com limitada comunicação com o mundo exterior; segundo porque mesmo que ele seja decidido na última rodada, o fuso horário faz com que os jogos comecem as duas da manhã aqui e não há lan house aberta nesse horário. Dependendo do que for, eu cogito me hospedar num hotel de verdade e que disponibilize computadores com internet para os seus hóspedes!
Dia 58 - Reescrevendo o dia 56
Toda cidade cosmolita que se preze tem que ter a sua Chinatown e com Bangkok não é diferente. Luzes coloridas, comidas típicas, letreiros em chinês e, é claro, chineses são vistos aos montes nas muitas quadras que compoem o bairro chinês. Ah, e é claro que não poderiam faltar as hordas de turistas e suas máquinas fotográficas. Eu nunca fui muito com a cara da China e de seus habitantes. Ao longo dos anos, a imagem que se formou em minha mente é de produtos de baixa qualidade e pouca atenção à higiene em restaurantes. Para minha surpresa (mentira, eu já sabia disso), essa visão é compartilhada por qualquer pessoa que não é chinesa. Enfim, por maiores que sejam os atrativos da Chinatown, é óbvio que eu não me hospedaria por lá, afinal isso é contra a minha natureza de ser sempre do contra.
Quase sem querer descobri e adotei o bairro árabe. Letreiros em árabe, mulheres usando burca, infinitas opções gastronômicas, músicas típicas e maior diversidade étnica; tudo combinado de forma a eu me sentir em casa, a despeito da minha origem não ser árabe. Ao contrário dos chineses, eles têm a minha completa e gratuita simpatia. Para me hospedar lá, tive de pagar quase o dobro do que estava acostumado a gastar, mas valia a pena pelo "pacote" que vinha com a hospedagem.
E é claro que a minha estadia por lá também me rendeu estudos sobre o comportamento dos moradores do bairro. Depois de um pouco de observação, cheguei à conclusão de que haviam muitas gangues no bairro, provavelmente responsáveis pela circulação de drogas. Com um pouco de imaginação, liguei as drogas à prostituição e à máfia chinesa. Não ví nenhum chin6es por lá, mas de alguma maneira a culpa deve recair sobre eles, não? :)
Quase sem querer descobri e adotei o bairro árabe. Letreiros em árabe, mulheres usando burca, infinitas opções gastronômicas, músicas típicas e maior diversidade étnica; tudo combinado de forma a eu me sentir em casa, a despeito da minha origem não ser árabe. Ao contrário dos chineses, eles têm a minha completa e gratuita simpatia. Para me hospedar lá, tive de pagar quase o dobro do que estava acostumado a gastar, mas valia a pena pelo "pacote" que vinha com a hospedagem.
E é claro que a minha estadia por lá também me rendeu estudos sobre o comportamento dos moradores do bairro. Depois de um pouco de observação, cheguei à conclusão de que haviam muitas gangues no bairro, provavelmente responsáveis pela circulação de drogas. Com um pouco de imaginação, liguei as drogas à prostituição e à máfia chinesa. Não ví nenhum chin6es por lá, mas de alguma maneira a culpa deve recair sobre eles, não? :)
Dia 57 - Myanmar
Você já ouviu falar de Myanmar? E Birmânia? A Ásia possui muitos países obscuros para a nossa imaginação e Myanmar é um deles. Até o final dos anos oitenta o país era conhecido como Birmânia e a mudança de nome (que aconteceu com as cidades também) ocorreu em função do regime militar instalado naquele país à época. Myanmar deve ser um dos países mais fechados do mundo e prova disso foi a catástrofe ambiental ocorrida em meados desse anos, quando um tufão ceifou milhares e milhares de vidas. Apesar dos problemas, o governo de Myanmar procurou dificultar de todas as formas a entrada de ajuda humanitária no país com o temor de permitir também a entrada de jornalistas.
Myanmar é, até agora, um Sri Lanka para mim, ou seja, o meu conhecimento do país se resume à sua capital e ao fato de que no passado ele era conhecido por outro nome, que no caso do Sri Lanka era Ceilão. O tufão chamou a minha atenção para Myanmar e a partir daí eu fui buscar informações sobre o país. Além de compartilhar fronteiras com Tailândia, China, Bangladesh e Índia (se não me falaha a memória) e possuir um dos mais impressionantes sítios históricos (Bagan, com aproximadamente 4.000 templos) do mundo, me chamou atenção o fato do país ser fechado e, portanto, com baixo influxo de turistas, o que me agrada muito já que eu não gosto deles. Ok, eu sei que é contraditório, mas é assim que funciona pra mim.
Ah, eu consegui o visto e viajarei o quanto antes para lá!
Myanmar é, até agora, um Sri Lanka para mim, ou seja, o meu conhecimento do país se resume à sua capital e ao fato de que no passado ele era conhecido por outro nome, que no caso do Sri Lanka era Ceilão. O tufão chamou a minha atenção para Myanmar e a partir daí eu fui buscar informações sobre o país. Além de compartilhar fronteiras com Tailândia, China, Bangladesh e Índia (se não me falaha a memória) e possuir um dos mais impressionantes sítios históricos (Bagan, com aproximadamente 4.000 templos) do mundo, me chamou atenção o fato do país ser fechado e, portanto, com baixo influxo de turistas, o que me agrada muito já que eu não gosto deles. Ok, eu sei que é contraditório, mas é assim que funciona pra mim.
Ah, eu consegui o visto e viajarei o quanto antes para lá!
Dia 56 - Expectativas e descobertas
Escrevi um texto enorme, talvez o maior até aqui, mas por algum motivo o Blogger resolveu apagá-lo. Ele falava sobre comidas, chineses, árabes e vistos para países alternativos. Paciência...
Dia 55 - Sem burocracia
Quem vem acompanhando os textos dos últimos dias, sabe que eu estou tentando tirar o visto para um país que por enquanto não será mencionado. Pois bem, esse é um país extremamente fechado e conhecido por ser muito rigoroso e criterioso com relação àqueles que pretendem adentrar seu território. Além disso, o visto pode demorar semanas e semanas para ser concedido. Com isso em mente, fui à embaixada sem expectativas muito elevadas.
Chegando lá, qual não foi a minha surpresa ao ver que bastava apenas preencher dois simples formulários, uma cópia do passaporte e duas fotos para dar entrada no visto, ale'm de 810 dinheiros tailandeses. A despeito d informações como cor do cabelo e pele, os formulários não procuravam esmiuçar todo o meu presente e passado. O único momento de quase apreensão foi quando me solicitaram colocar a instituição de ensino a qual pertenço (coloquei "estudante" no campo "profissão") e a guesthouse na qual estou hospedado. Sexta-feira pela tarde eu saberei se o meu acesso a tal país será ou não permitido.
Voltar pra Bangkok é como voltar pra casa. O mesmo sentimento que eu tenho quando chego em São Paulo depois de alguns dias/semanas de ausência esteve presente ontem e hoje aqui. Aliás, é impressionante como não só Bangkok, mas a Tailândia como um todo está anos-luz à frente de seus vizinhos. Enquanto a Tailândia está se desenvolvendo, Laos e Camboja esgotam seus esforços para tentar sobreviver.
Chegando lá, qual não foi a minha surpresa ao ver que bastava apenas preencher dois simples formulários, uma cópia do passaporte e duas fotos para dar entrada no visto, ale'm de 810 dinheiros tailandeses. A despeito d informações como cor do cabelo e pele, os formulários não procuravam esmiuçar todo o meu presente e passado. O único momento de quase apreensão foi quando me solicitaram colocar a instituição de ensino a qual pertenço (coloquei "estudante" no campo "profissão") e a guesthouse na qual estou hospedado. Sexta-feira pela tarde eu saberei se o meu acesso a tal país será ou não permitido.
Voltar pra Bangkok é como voltar pra casa. O mesmo sentimento que eu tenho quando chego em São Paulo depois de alguns dias/semanas de ausência esteve presente ontem e hoje aqui. Aliás, é impressionante como não só Bangkok, mas a Tailândia como um todo está anos-luz à frente de seus vizinhos. Enquanto a Tailândia está se desenvolvendo, Laos e Camboja esgotam seus esforços para tentar sobreviver.
Dia 54 - Maratona
05:30: Acordar e arrumar as malas.
06:30: Pegar a van rumo à rodoviária.
06:45: Pegar o ônibus até Poipet, na fronteira com a Tailândia.
08:30: Primeira parada aleatória de dez minutos.
09:30: Parada para usar a estrada como toalete.
10:45: Segundo parada aleatória de dez minutos.
12:45: Imaginar uma maneira de fazer o motorista parar de buzinar frenéticamente.
14:00: Contentar-se em ouvir o som da buzina por mais algum tempo.
15:00: Chegada na fronteira. Lama, muita lama.
15:15: Imigração cambojana. Adeus, expressões sisudas!
15:30: Imigração tailandesa. Os sorrisos voltaram!
16:00: Espera pelo ônibus e almoço.
16:15: Preocupação em relação às informações desencontradas acerca do ônibus que me levaria até Bangkok.
16:30: Embarque rumo à Bangkok.
18:30: Parada aleatória para comer.
20:30: Chegada em Bangkok.
06:30: Pegar a van rumo à rodoviária.
06:45: Pegar o ônibus até Poipet, na fronteira com a Tailândia.
08:30: Primeira parada aleatória de dez minutos.
09:30: Parada para usar a estrada como toalete.
10:45: Segundo parada aleatória de dez minutos.
12:45: Imaginar uma maneira de fazer o motorista parar de buzinar frenéticamente.
14:00: Contentar-se em ouvir o som da buzina por mais algum tempo.
15:00: Chegada na fronteira. Lama, muita lama.
15:15: Imigração cambojana. Adeus, expressões sisudas!
15:30: Imigração tailandesa. Os sorrisos voltaram!
16:00: Espera pelo ônibus e almoço.
16:15: Preocupação em relação às informações desencontradas acerca do ônibus que me levaria até Bangkok.
16:30: Embarque rumo à Bangkok.
18:30: Parada aleatória para comer.
20:30: Chegada em Bangkok.
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