Friday, February 6, 2009

Dia 149 - O porquê da volta ao Sudeste Asiático

A primeira vez que me passou pela cabeça voltar à Tailândia e ao Laos foi em Hyderabad, quando eu já estava há duas semanas na Ìndia. Foi um dia que começou mal, pela total falta de simpatia dos donos dos hoteis que procurei, e terminou pior ainda, com o tapa que um mendigo me deu só porque eu me recusei a dar esmola. Nesse dia eu comecei a pesquisar preços de passagens aéreas, além de mudar o roteiro para sobrar alguns dias sem precisar cortar nenhuma cidade, afinal eu queria ver tudo o que eu tinha me proposto a ver.

Duas semanas depois, em Jaipur, veio a gota d'`agua com a discussão sem sentido e que quase terminou em briga com um motoqueiro (ver dia 131). Eu já estava decepcionado com o país e esse acontecimento me fez perder qualquer vontade de continuar viajando. Além disso, não queria terminar a viagem extremamente feliz e aliviado por estar deixando a Ìndia. Feliz sim, mas aquela felicidade triste por estar deixando pra trás um lugar no qual você viveu experiências fantásticas.

Infelizmente não consegui remarcar a minha volta por Bangkok e fui obrigado a comprar uma passagem de ida-e-volta para a Tailândia. Consegui pegar uma promoção, mas logicamente que eu paguei uma pequena fortuna, especialmente se considerarmos o fato de que eu ficaria no Sudeste Asiático por apenas dez dias. Paguei, e paguei feliz porque sabia que essa volta valeria muito à pena.

Se vocês lerem os dias 143 e 147, nos quais eu conto a minha volta para Bangkok e Luang Prabang respectivamente, vocês entenderão bem o que eu estou tentando dizer. Desde o primeiro minuto em Bangkok, a vontade de viajar voltou com força total e eu fui inundado pela felicidade triste que mencionei anteriormente. Essa volta me fez lembrar de muitas das experiências bacanas que tive, além de me proporcionar a chance de reviver algumas delas.

No final das contas, voltarei para o Brasil com o sentimento que eu queria, muito embora ele não seja muito agradável agora pelo fato de eu saber que demorará bastante para eu voltar para esses lugares.

Dia 148 - Resumo - Myanmar

Myanmar, país anteriormente conhecido como Birmânia, não estava nos meus planos de viagem. Na verdade, eu queria muito ir pra lá, mas tinha lido que o visto era quase impossível de conseguir - vale lembrar do episódio do tufão que matou mais de 30 mil pessoas e o país recusou e proibiu a entrada de ajuda humanitária. Um dia, ainda no Laos, estava procurando informações sobre o sul do país e acabei topando com um guia sobre Myanmar com muitas fotos fantásticas, o que me fez mudar de idéia e tentar o visto. Pra resumir a história, consegui o visto em apenas dois dias em Bangkok.

De todos os países que visitei, Myanmar era o que eu tinha menos informações, seja pelo guia de viagem ou pela internet. O que eu tinha de informação, eu recebi de um canadense que eu conheci no Laos e que sintetizou, em poucas palavras, o que seria a experiência em Myanmar: "Há pouquíssimos turistas por lá e por isso as pessoas ainda são muito curiosas em relação a eles.". E a minha experiência por lá seguiu esse caminho; poucos turistas e milhares e milhares de pessoas que me abordaram só pra dizer minglaba (oi).

Myanmar é um país único. Como eu relatei por aqui, além dos artistas cantando músicas locais, eles pegam músicas ocidentais, traduzem e cantam da mesma forma que a canção original; se você não prestar atenção, não verá diferença. Além da música, boa parte dos homens usam saia, talvez pela influência dos indianos que foram trazidos na época em que o país estava sob o domínio britânico e o tanaká (talco) que as mulheres e crianças usam no rosto.

Das quatro cidades que visitei, duas se destacaram: i) Pyin Oo Lwin ou "A pequena Bretanha" é uma cidade pequena, com clima agradável e locais àvidos pra conversar. Em poucos dias, metade da cidade já me conhecia e muitos deles quando me viam falavam "Equador"; ii) Bagan deve ter sido o lugar mais fantástico que eu ví em toda viagem. Em uma planície se encontram milhares e milhares de templos e stupas, longe de casas, carros e pessoas. As construções, isoladamente, não são tão especiais, mas o conjunto, principalmente se visto do topo de um grande templo e no por-do-sol, é uma coisa que as fotos que tirei e muito menos as palavras que escreví conseguem mostrar com exatidão toda a beleza desse lugar.

Por causa de um problema no início da viagem que será relatado adiante e pela precariedade dos meios de transporte, deixei de visitar outros lugares interessantes fazendo com que Myanmar seja o primeiro destino a ser revisitado no Sudeste Asiático.

Wednesday, February 4, 2009

Dia 147 - Volta pra casa

Uma volta para o Sudeste Asiático nunca estaria completa se eu não voltasse para Luang Prabang, minha cidade preferida do meu país preferido, o Laos. E essa volta não foi fácil, comoquase sempre costuma ocorrer com os meus deslocamentos. O primeiro passo foi pegar um ônibus em Bangkok para Vientiane, capital do Laos e que fica no lado lao do Mekong. Só nessa brincadeira, mais todo o processo de imigração foram 14 horas. Ao contrário do que eu esperava, o ônibus não nos deixou em um dos terminais e sim no centro da cidade, o que não me ajudava em nada já que eu estava lutando contra o tempo.

Entre Vientiane e Luang Prabang são 8 horas no ônibus VIP ou 10 horas no ônibus local, muito mais barato. Pela hora que cheguei (9 da manhã), seria impossível pegar o ônibus VIP e as chances de conseguir um lugar no ônibus convencional eram mínimas. Mesmo assim, quis testar as minhas chances já que não queria perder um dia em Vientiane. Para minha sorte, haviam lugares disponíveis no ônibus, só que ele iria se atrasar um pouco. Esse atraso, aliado ao fato de que viajamos por algumas horas sem a luz do dia, fez com que chegassemos perto de meia-noite em Luang Prabang, quase 30 horas depois de eu sair de Bangkok.

Como quase tudo aqui fecha por volta das dez da noite, seria quase impossível achar um lugar por um preço razoável e por isso peguei a segunda opção de guesthouse que eu tinha. A segunda porque não havia possibilidade nenhuma de eu pegar a primeira. Eu, um britânico e um chinês que não falava inglês rachamos um tuk-tuk até a cidade para procurar um lugar. Achamos, só que só haviam dois quartos disponíveis; um ficou com o britânico que foi quem deu a idéia do luagar e o outro... bem, eu NUNCA iria dividir uma cama com um chinês que eu nunca ví na vida. Preferia, e já estava me acostumando com a idéia, dormir ao relento em algum banco disponível para não pagar uma fortuna por ssa noite.

Acordei o mais cedo possível e fui na guesthouse que fiquei aqui da outra vez. Para minha felicidade, há quartos disponíveis e saindo daqui eu me mudo para lá. Além do povo bacana, do terraço dela dá pra ver um templo que fica em uma montanha próxima e a lua, que está ficando cheia!

Ah, e pra quem viu a reportagem do ZéCamargo no Fantástico, saiba que eu encontrei com o dito cujo no meu primeiro dia aqui, em 05 de Outubro. Na hora, lembrei que uns dez anos antes ele fez uma série de reportagens pela Àsia passando, inclusive, pelo Laos. Na época achei que ele tinha gostado e por isso tinha voltado, mas na verdade ele veio a trabalho também.

Meus planos aqui são bem simples: andar, comer, ler, BeerLao e ver a lua.

Dia 146 - Resumo - Malásia

Infelizmente para mim a Malásia serviu apenas como entreposto para a Indonésia e depois para a Ìndia. Na verdade, nem era pra eu ter ido para a Malásia, mas os protestos em Bangkok e o consequente adiamento do meu vôo para a Indonésia fizeram com que eu cancelasse esse vôo e fosse para a Indonésia por terra e mar via Malásia.

Visitei apenas duas cidades e fiquei menos de uma semana no total,mas as minhas impressões foram as melhores possíveis. Georgetown, na ilha de Penang, e Melaka são duas cidades que alcançaram o status de patrimônio da Unesco no ano passado e fazem por merecer esse título. São cidades com muitos edifícios históricos, todos muito bem conservados, limpas, seguras e com boa infra-estrutura. Isso faz com que essas cidades tenham um magnetismo natural para turistas, que éa única coisa que não me agradou nelas. Turistas demais acabam tirando o charme de qualquer lugar.

Tirando isso, foi uma experiência efêmera, porém agradável e eu acho que dos países que eu visitei, a Malásia é o mais desenvolvido. Há planos para voltar, conhecer Kuala Lumpur e ir para a ilha de Borneo.

Tuesday, February 3, 2009

Dia 145 - Resumo - Indonésia

Com a viagem chegando aos seus últimos dias e nenhum país ou cidade novos pela frente, começo, a partir de hoje, a resumir o que foram os mais de três meses no Sudeste Asiático, já que fiz as minhas considerações finais dias atrás. Esse resumo também é bom para quem NÃO acompanhou um único dia sequer do blog e quer saber um pouco sobre o que eu escrevi.

Começo pela Indonésia, que foi o meu último país no Sudeste Asiático. Pela falta de tempo, fui obrigado a me contentar com pouco menos de duas semanas no maior arquipélago da Terra. Apenas com essa informação, concluímos que as possibilidades na Indonésia são quase infinitas. Milhares de ilhas para escolher, todas com diversas etnias e eu acabei escolhendo Sumatra, muito em função da proximidade com a Malásia.

Apesar de ter praias, vulcões, lagos e florestas para se aventurar, o fato de eu ter ido pra lá na época das chuvas limitou bastante os meus movimentos na ilha. Apesar disso, a experiência em Sumatra foi das mais gratificantes da viagem. Em Medan, primeira cidade, conheci um grupo de amigos e saí com eles por uns dias, indo inclusive em uma celebração do Natal em um hotel local. Em Bukittinggi, última parada, eu me senti uma celebridade; otoda hora me paravam na rua para tirar foto e o "assédio" era contínuo. Além disso, fui convidado para participara de uma aula em uma faculdade de línguas da cidade, onde fui sabatinado por umas 25 pessoas.

Pela monstruosa diversidade étnica da Indonésia, é fácil perceber que o Islã lá é um pouco diferente do que estamos acostumados. A diversidade impede que haja uma corrente do islamismo dominante e ao mesmo tempo permite que formas mais brandas sejam praticadas.

O único ponto que realmente me chocou foi a taxa de fumantes do sexo masculino: creio que entre 70% e 80% dos homens das cidades nas quais estive fumam, e muito. E infelizmente não há leis (ou não são seguidas) contra o fumo, já que nas duas vezes que viajei de ônibus climatizado, as pessoas fumaram deliberadamente.

Fora isso, é um país extremamente agradável e com habitantes muito simpáticos, com interesse genuíno no turista. Claro que essa é uma visão bem superficial do povo indonésio, baseada em duas cidades e etnias o que significa que nas outras ilhas a situação pode ser diferente.

Monday, February 2, 2009

Dia 144 - Rumual Laos

Para encerrar a viagem com chave de ouro, nada melhor do que voltar para o lugar que eu mais gostei até aqui: O Laos, mais especificamente, claro, Luang Prabang. Muito embora eu tenha gostado muito do Laos, vai demorar muito tempo para eu voltar para lá, uma vez que eu tenho planos de visitar outros lugares antes.

Ainda que eu não tenha muitos dias até a volta para aquele país simpático da novela das 8, acho que vale a pena passar, nem que sejam três dias em LP. A viagem será longa (24 horas) e eu ainda corro o risco de não conseguir passagem e ficar preso em Vientiane um dia, mas tudo isso valerá a pena. Só tenho receio quanto a minha volta, pois segunda é feriado por lá e eu posso não conseguir condução de volta pra Tailândia. Só que isso eu deixo pra me preocupar quando chegar lá...

Quanto a Bangkok, hoje eu perdi a conta de quntas vezes eu comi, já queessa cidade desperta as lombrigas que se abrigam no meu estômago. É bom poder comer na rua qualquer tipo de comida e não ter aquela preocupação sobre possíveis efeitos colaterais. Falando em comer qualquer tipo de comida, hoje eu tomei LEITE depois de quase um mês e meio. É a Índia ajudando a criar casos precoces de osteoporose!

Sunday, February 1, 2009

Dia 143 - Volta pra casa

Quando eu pisei em solo tailandês, ficou provado de uma vez por todas que a minha decisão de voltar foi a mais acertada possível. Na imigração, fui atendido com sorrisos, devolveram o pasaporte na minha mão (ao contrário dos indianos que simplesmente jogam o pobre coitado) e ainda ouvi um "tchau" quando fui embora.

A partir daí, começou a sessão nostalgia. Coincidentemente, eu estou usando hoje a mesma roupa que usei no dia que eu cheguei aqui pela primeira vez, no já longínquo 12 de Setembro. Peguei o ônibus para a cidade e dessa vez eu sentei do lado esquerdo (sim, eu lembro exatamente onde sentei da primeira vez) para apreciar o lado que foi negligenciado em setembro. O dia já estava terminando e a cidade estava ilumidade pelas luzes de seus grande edifícios com bela arquitetura. Nos trinta minutos que se seguiram até o destino final, os olhos não saírma da janela, procurando olhar cada detalhe da cidade, muito embora quase tudo o que eu ví eu já conhecia. Mesmo assim, havia a sensação de novidade no ar.

Pra não ser exatamente como no primeiro dia, não fiquei na mesma Guesthouse, ainda que o lugar escolhido tenha sido minha moradia nointervalo entre o Camboja e Myanmar e entre Myanmar e Malásia. Quando o serviço é bom, os clientes voltam mesmo! Depois de instalado, fui sentir a MINHA cidade novamente. O ar é diferente. Poluído sim, mas mais úmido e menos pesado do que na Índia. E o cheiro... Bangkok tem comida esplhada por todos os cantos da cidade. Para onde você olha ou aponta o nariz, um cheiro convidativo virá até você.

Voltando a ser conservador e comi no mesmo lugar do primeiro dia. Lembro que nesse dia tinha chovido e eu conhecí um australiano que tinha morado na Coréia por alguns anos e me indicou um prato, que viria a se tornar o meu favorito por aqui e no Laos: khao phad kai; o bom e velho arroz frito com frango. Como eu estava com fome, além desse prato eu pedi um outro, também com frango e pimenta. Aliás, ainda que as comidas tailandesas e indianas sejam apimentadas, o "fator picante" da comida tailandesa não se sobrepoe ao sabor natural dos alimentos, o que a torna mais interessante ao meu paladar.

Para minha surpresa, a dona do local lembrou-se de mim. "You, long time", disse ela. Tudo bem que eu estava com a mesma roupa (que ela também lembrou), mas nunca imaginaria que ela se recordaria de mim. Parece quenão é sou eu quem tem boa memória por aqui! Conversamos um pouco e ela me indicou um punhado de lugares para visitar em Bangkok. Ainda não sei quais serão os planos pros próximos dias, mas tentarei encaixar esses lugares neles.

Não pretendo fazer muita coisa além de comer, comer e comer. Ah, e andar a esmo, coisa que eu não faço há mais de 40 dias!

Senti falta do cheiro, das cores, da hospitalidade da comida, da dificuldade de me comunicar e da felicidade ao conseguir pronunciar palavras aleatórias e ver a cara de satisfação de quem as ouve. Estou feliz novamente!


i) antes que alguém venha falar algo, a calça jeans que estou usando só foi usada no primeiro dia e a camiseta não foi usada tantas vezes assim, ainda que ela já esteja terminando a carreira.