Wednesday, January 7, 2009

Dia 118 - Hyderabad

Minha jornada rumo à Hyderabad começou ontem pela manhã, ainda em Puducherry. Primeiro, três horas e meia de ônibus até Chennai; depois, mais uma hora de ônibus local do Terminal até a estação de trem. Aliás, fico orgulhoso quando consigo me virar nas cidades usando o transporte público de massa, muito mais barato do que os rickshaws da vida. Depois, o principal: a primeira viagem de trem na Índia. Há diversas categorias nos trens, desde as mais simples acomodações até as mais suntuosas e eu não perderei tempo aqui explicando como é cada uma delas. A que eu fiquei é a segunda melhor e eu dormi (quase) todo o percurso.

Chegando em Hyderabad no início da manhã, eu percebi que o melhor a fazer é jogar o guia de viagem fora. Os lugares que ele recomenda pra ficar nunca estão com os endereços certos, muito menos os preços, além da escala o mapa nunca ser satisfatória. Como de praxe, acabe ficando em um lugar aleatório depois de ouvir muitos "não temos vagas" em duas horas de procura. Hyderabad é uma cidade mais islâmica do que as cidades que visitei até agora e isso pode ser observado nas diversas mesquitas espalhadas pela cidade. Na verdade, ela tem uma história bem interessante, mas isso é dever de casa de voces, ok?

Aliás, essa história interessante é refletida na belíssima arquitetura da cidade. Pra todo lugar que você olha há uma mesquita, hospital ou prédio do governo cheios de detalhes e que fazem você parar no meio da rua pra ficar olhando. Claro que isso não pode durar mais de poucos segundos, do contrário você será atropelado por todos os tipos de veículos possíveis!

i) ao que tudo indica, as pessoas de Hyderabad também conhecem Kaoma;
ii) um pedinte me deu um tapão nas costas depois que eu recusei dar dinheiro pra ele.

Tuesday, January 6, 2009

Dia 117 - Trem

Hoje, após duas semanas de Índia, andarei de trem pela primeira vez!

Dia 116 - Desalojado

Como já contei aqui, criei a rotina perfeita em Puducherry: todo dia levanto, como alguma coisa e vou pra praia; fico um tempo, almoço, tiro uma soneca e volto pra praia. A praia em sí quase não existe, já que o mar quebra em um amontoado de pedras. No meio desse amontoado há uma pedra perfeita, que não apenas é confortável (estamos falando de pedras, lembrem-se disso), como também tem uma das melhores vistas da praia.

Estava eu no meio da minha rotina de não fazer nada quando avisto um ônibus no cais. Minutos depois eu vejo dezenas de pessoas dançando no cais. Minutos depois essas mesmas pessoas saem do cais e vem na minha direção. Minutos depois eu entendo que estão gravando um clipe quando o diretor me expulsa da minha pedra para dar lugar aos dançarinos. A MINHA PEDRA. A pedra com a melhor visão da praia. Resignado, eu procuro e acho outra pedra, nada confortável e com a visão dos dançarinos.

Minutos depois eu sou expulso dela também, agora por um guarda muito bem armado com seu porrete. Procuro outro lugar. Sou expulso dele também. Tento gravar alguma coisa. Sou impedido. Instantaneamente passo a ter um ódio mortal pelo(s) artista(s)em questão.

Instalei-me em outro lugar e fiquei observando, na esperança de que em algum momento alguém ia me chamar pra fazer uma ponta. Não pra dançar, óbvio, mas como eu era o único estrangeiro no local, achava que poderia servir para alguma coisa. Esperei em vão. Quer dizer, eu ainda consegui uns vídeos EXTREMAMENTE CONFIDENCIAIS desse videoclipe, mas isso não compensa o fato de eu ter sido desalojado de minha pedra.

Dia 115 - Pobreza

Se tem uma coisa que não é exagerada nas imagens que vemos da Índia é a precária condição na qual se encontram muitos de seus habitantes. Pra todo lugar que você olha, há crianças, jovens, idosos e famílias inteiras ao léu. No meu primeiro dia em Trichy, como se fosse um cartão de visitas, uma criança de não mais de sete anos praticamente se agarrou à minha camiseta gritando "money!"money!".

Não que isso ainda não havia acontecido na viagem, mas a quantidade e especialmente a agressividade das pessoas é que me surpreenderam. Elas gritam pra chamar a tua atenção e se você não olha, elas praguejam qualquer coisa em tamil. Outras, se limitam a passar uma das mãos na barriga e colocar a outra na boca.

O ponto é que é tanta gente, mas tanta gente, e a maioria não tem cara nenhuma de coitadinho e parece que escolheu esse caminho por ser o mais fácil, que eu não consigo sentir dó (da maioria). Primeiro que eu não ajudo os pedintes do meu país, quanto mais os dos outros; segundo que se eu der pra todos, não sobrará nada pra mim (sem exageros); e terceiro que só pelo fato de eu estar na Índia gastando o meu dinheiro eu indiretamente estou (estaria) ajudando essas pessoas.

Uma vez, um cara BEM MELHOR VESTIDO do que eu veio pedir dinheiro. Não contente com o meu "não", ele ficou me seguindo e pedindo de novo. Enfim, eu só ajudo se tiver comida comigo, do contrário, nada de dinheiro.

Saturday, January 3, 2009

Dia 114 - Ano Novo II

Tal qual acontece no Brasil, o ano está começando de forma bem lenta para mim. Como eu só consegui comprar a passagem de trem para Hyderabad para o dia 06 e não há nada que me chame atenção em alguma cidade no meio do caminho, optei por permanecer em Puducherry. Claro que o fato de a cidade ficar no litoral pesou bastante nessa decisão. Com isso, a minha rotina ficou um bocado simplificada: comer, ir pra praia e dormir. Sem me preocupar com ônibus, lugar pra ficar ou comer.

Falando em comida, dia dessas eu presenciei uma cena pitoresca em um restaurante. Na hora do almoço o prato que todos os indianos comem é o thali, que nada mais é do que arroz servido com três misturas e alguns molhos em uma folha de bananeira (ou prato mesmo). Não sou muito (na verdade, nada) fâ de comer com as mãos, mas acho desrespeito edir colher e garfo quando TODOS no recinto estão comendo com as mãos. E ra ser sincero, as mãos nesse caso são o melhor instrumento para se comer, já que você tem que misturar o arroz com os molhos.

Estou eu entretido com a minha mão direita (a mão esquerda não é usada por motivos óbvios) misturando e brincando com o arroz quando olho para o meu lado e vejo um casal estrangeiro tendo um baita trabalho para comer com COLHER. Um baita trabalho mesmo, já que eles não estava conseguindo misturar o arroz e os molhos de maneira apropriada e demoravam bastante pra comer. Entretanto, apesar de se esforçarem para chamar atenção, eu era o único que os estava observando. Provavelmente os indianos já estão acostumados com esse tipo de turista.

Ainda sobre comida, eu percebi que boa arte das indianas dessa região estão acima do peso, apesar da dieta baseada em arroz (ok, é um motivo) e vegetais (ok, não é um motivo).

Dia 113 - Praia

Resolvi tirar férias dentro das férias e ficarei mais uns bons dias por aqui. :)

Thursday, January 1, 2009

Dia 112 - Constatacoes assustadoras

Primeiramente peco desculpas pela enesima vez por nao escrever com a acentuacao apropriada.

Com a chegada de mais um ano, mais especificamente o de 2009, eu cheguei a duas conclusoes assustadoras. Ta, elas nao sao assustadoras do tipo que voce fica sem comer nem dormir, mas mesmo assim ha um certo grau de preocupacao em relacao a elas.

A primeira delas e que nos entramos, vejam bem, no ULTIMO ano da primeira decada do seculo XXI. Ate ai nenhuma novidade, mas a questao e que todo ano que comeca eu sempre penso que a decada esta no comeco. Parece que foi ontem que teve todo aquele aue em cima do "bug do milenio". E ja sao quase dez anos.

A outra, essa sim bem mais importante, e que, ao adentrar o dia primeiro de janeiro de 2009 significa entrar no penultimo mes de viagem. Fevereiro esta logo ali e o retorno nunca pareceu tao real.

Voltando a India, quase nada de fogos por aqui ontem. Alias, se eu nao estivesse na praia eu nao saberia se era virada do ano ou nao. A cidade nao parou em nenhum momento e antes, durante e depois da virada o movimento nas ruas (e as buzinas) era o mesmo. E hoje nao foi diferente; nada fechado, todos na rua e o barulho ensurdecedor (na verdade mais irritante do que ensurdecedor) de sempre.

Em relacao ao transporte, comprei uma passagem de trem para Hyderabad na proxima terca feira. Ficarei por aqui mais uns dois dias e depois irei para Chennai, cidade da qual parte o meu trem.